
Se existe verdade, mesmo que relativa, que se revele entre as palavras, que, jogadas ao vento, lavam a alma e libertam o pensamento.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
4 am

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Sob o sorriso do gato de Alice

No fim de tudo, veio a chuva, constante e tormentosa, escorregando entre ruas e vielas, recolhendo e juntando os cacos e restos da imensidão.
No fim de tudo, o sol se pôs costumeiramente e o vento gélido percorreu as espinhas dos caminhos devastados, causando arrepios finos na surpefície lamacenta deixada pela chuva.
No fim de tudo, o silêncio da nossa ausência ecoou retumbante por entre as ruinas do que outrora fora a nossa casa, nosso quarto, nossa cama.
No fim de tudo, não houve lamentos, só o calar-se perpétuo e perplexo dos incontáveis desejos e motivos jamais concretizados.
E, no fim de tudo, sobre nossos corpos decaídos, pairou o sorriso do gato de Alice.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Fernando Pessoa
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Ventos cambiantes

O olhar percorre vãos espaços desocupados! Romperam-se os diques das almas e a enxurrada de dúvidas inconfessas derrubou as ilusões que preenchiam as ruas tortuosas do devir. Muito embora nada disso seja novidade, não são as mesmas almas que se desgarram. E um olhar inusitado paira diante do espelho. Não há luto, não há dor.. apenas esse espaço vazio a se expandir pelas ruas, pelas almas - e ainda resta o deserto da noite para atravessar. Nenhuma culpa. Simplesmente já não há nada mais em que acreditar. Ou mesmo nunca houvera. O ácido que as entranhas corrói, outrora fora qual mel a perfumar os aposentos dos castelos de areia que se construíra. E agora, nos corredores desse castelo, ouve-se apenas os sussuros das desmedidas quimeras a rolar pelo chão indo de encontro ao mar.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
)v(i

Um dia um vampiro bateu à minha porta, e sem pedir licença invadiu as minhas veias e derramou seu sangue febril na minha circulação, desde então me sinto mais viva do que jamais me senti, como se tudo o que respira e transpira em mim tivesse começado a morar... de seus lábios derramaram-se as palavras doces capazes de despertar a besta que me anima, e desde então minha alma se contorce em júbilo e deleite!
sábado, 19 de julho de 2008
Taxionomista

Depois desse vitorioso achado, senti-me invadida, momentaneamente, por um sentimento de satisfação, que fugazmente brilhou em meus olhos. Chegara, enfim, à descrição efetiva, solicitada por minha obsessiva idiossincrasia catalogadora de sentidos e intenções.
Como é de costume, a simples identificação do fato não é suficiente para aplacar-me a ânsia de taxionomista. Olhei para mim mesma no espelho oval da penteadeira e as reminiscências de toda a minha vida, até agora vivida, passaram diante dos meus olhos, vi que aquilo que considerava inato, minha protetora indiferença, meu distanciamento do mundo, não passa de construções: um processo contínuo e incessante de acúmulo de experiências, frustrações de expectativas, rejeição de alguns fundamentos de mim e aquisição de trejeitos e personas enaltecidas pessoal ou culturalmente.
Então, reconheci-me naquela imagem que se refletia pálida na placa de bronze e vi o rosto de mármore ser desvelado, duro e frio, confusamente eu. E disse: “sim sou EU, sou também”.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Insano Limiar

domingo, 6 de julho de 2008
Há alas de pessoas boas, boas, onde estão?
Sinto-me exasperada com as pessoas, conhecidas e desconhecidas, e tento afastá-las de mim, para que não lhes diga da minha insatisfação, para que eu não venha a explodir em seus ouvidos os pensamentos que me perturbam.
Suspiro, respiro e transpiro quando vejo os egos emergirem das máscaras de “pessoas boas”. Tenho ânsias de vômito ao ver pessoas dizerem que procuram o seu lugar no mundo, sem de fato nunca terem sequer tentado. Não suporto gente que arrota a sua intelectualidade e revira os olhos para opinião alheia. Detesto pessoas estilosas, bem como aquelas que só seguem o que “está se usando”. Não suporto pessoas lerdas, muito menos as que se fingem de lerdas. Odeio pessoas manipuladoras que se fazem de vítimas e de pobres coitadas.
E, embora tudo isso me esteja sendo insuportável, tenho que continuar a aceitar que no mundo existem todos os tipos de pessoas, e que o meu tipo pode ser, até mesmo, insuportável para alguém.
Afinal, ultimamente, muitas vezes, eu mesma não me suporto, e vejo em mim algumas das coisas de que falei antes.
Diário íntimo - Para Helena

sexta-feira, 27 de junho de 2008
"Amor vem de amor" - Rosa para Sônia
Hoje, olhando para o livro à minha frente, ouso sentir o laço que nos une: Eu, Sônia e João... e porque não poderia expressar melhor o meu amor e admiração por esses dois, dedico a Soninha, minha mestre, minha amiga, eterna orientadora, essas palavras de João Guimarães Rosa:
terça-feira, 1 de abril de 2008
Metáfora de mim

sábado, 24 de novembro de 2007
As mais belas cicatrizes

quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Perfeição indigna

quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Procura-se lucidez

terça-feira, 23 de outubro de 2007
sábado, 13 de outubro de 2007

sábado, 22 de setembro de 2007
Beija as lágrimas de quem chora

Revelações sutis
Tão dentro de mim

quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Apenas o caos

terça-feira, 11 de setembro de 2007
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
Fatal


segunda-feira, 3 de setembro de 2007
sem mais feridas, sem despedidas,

Em tempos modernos, sonhar com príncipe encantado já anda fora de moda. Mas eu, descompassada que sou com o meu tempo, continuo sonhando com o amor cortês da idade média. Mas me pergunto, porque morreu o amor cortês? Um amor ao mesmo tempo ilícito e moralmente elevado, passional e auto-disciplinado, humilhante e exaltante, humano e transcendente entre o desejo erótico e a realização espiritual. Um amor capaz de gerar uma devoção contida, e, ao mesmo tempo, pulsante, criativa, como o provam as Cantigas de Amor do cancioneiro medieval. O homem contemporâneo perdeu a capacidade criativa do amor cortês. E eu com isso??? Eu: sou Dulcineia desvairada, a perguntar pelas ruas: “onde andará meu Dom Quixote?”. Sou Isolda, enfurecida, a amaldiçoar o mar, que insiste em levar e nunca mais devolver o Tristão que nunca me chegou.






