sexta-feira, 15 de abril de 2011

Traveling 2



Essa semana mal deu tempo de pensar em nada, e mais uma semana de trabalho e contagem regressiva se aproxima. Mas se eu pudesse, o que eu faria nessa semana santa, seria visitar uma das cidades mais fascinantes no meu imaginário: Praga. Apesar desse nome de pouco augúrio, Praga é uma das cidades mais lindas e misteriosas das quais já ouvi falar... Não bastasse o fato de ser a cidade em que Kafka nasceu, é também a cidade de um ex-aluno meu, com quem mantive uma relação de amizade muito legal. Creio que há um equívoco em se falar da frieza do povo do leste europeu. Quando morei em Portugal, eu via cotidianamente alguns mendigos loiros, e isso me intrigava, afinal na nossa cultura, isso seria muito estranho. E aqueles homens loiros de olhos azuis, passando fome... me disseram, vieram do leste europeu. Meu coração ficou condoído, muito embora eu não queria achar que isso se deu porque eles eram loiros de olhos azuis... tão bonitos... sujos e famintos. 
Então aqui vou eu ...Destino: PRAGA


Praga (em checo: Praha) é a capital e a maior cidade da República Checa, situada na margem do Vltava. Conhecida como "cidade das cem cúpulas", Praga é um dos mais belos e antigos centros urbanos da Europa, famosa pelo extenso patrimônio arquitetônico e rica vida cultural. Importante também como núcleo de transportes e comunicações, é o principal centro econômico e industrial da República Checa. Situada na Boêmia central, a cidade de Praga localiza-se sobre colinas, em ambas as margens do rio Vltava, pouco antes de sua confluência com o rio Elba. O curso sinuoso do rio através da cidade, cheia de belas e antigas pontes, contrasta com a presença imponente do grande Castelo de Praga em Hradcany, que domina a capital na margem esquerda (oriental) do Vltava.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Veredas-travessia



"Viver é muito perigoso". Sobretudo quando estamos tão longe de uma compreensão qualquer que seja. "Se o tolo admite, seja nem que um instante, que é nele mesmo que está o que não o deixa entender, já começou a melhorar em argúcia." Essa citação de Guimarães Rosa, pelo menos, me consola. Afinal, já cheguei a entender, que hoje, só sei que nada sei (Sócrates).  

"Viver é muito perigoso". Vivemos uma ilusão de controle, mas devemos nos perguntar: quanto de nossas vidas está de fato sob o jugo de nossas escolhas??? O livre arbítrio há??? Enfim, volto à Rosa, num impulso de entendimento: "Nonada. O diabo não há! É o que eu digo, se for... Existe é homem humano. Travessia."







quarta-feira, 13 de abril de 2011

Oculta

Às vezes me engano, dizendo que nesse blog eu sou mais eu do que de fato sou na vida que respiro. Na verdade, acho que no blog, como na vida, a gente mais cala do que fala sobre o que vai por dentro, bem dentro de cada um de nós. Tem certas coisas que acontecem comigo ou certos sentimentos que geram um tipo de desassossego, sobre os quais eu jamais consegui falar, nem mesmo aqui nesse espaço vazio na tela que ninguém lê... só eu sei de mim... só eu sei das profundezas dos meus olhos e das lágrimas que me escorrem por dentro. Mas deixemos a dor estar, pois como disse G. Rosa "tudo quanto há, neste mundo, é porque se merece e carece."

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Amar o próximo como a ti mesmo...

Queria falar de coisas importantes, falar do quanto estou chocada com o  massacre na escola do Rio de Janeiro, afinal isso nos afeta, como sociedade, de uma maneira tão profunda que só iremos nos dar conta no futuro, talvez não tão distante quanto esperamos. Afinal, o que leva um ser humano a matar outro, ou pior ainda, outros??? Claro que existem casos patológicos, que muitas vezes estão muito além da nossa compreensão. Como parece ser o caso do rapaz que cometeu esse ato tão desumano. Terrível seria se fosse com adultos, mas com crianças, isso é...  mais do que brutal... não tenho uma palavra forte o suficiente para exprimir o horror que isso me causa... E não há porquês suficientes para um coisa tão sem razão, tão sem sentido... Ferir outro ser humano..por que? Creio que a humanidade chegou a um ponto em que, ou aprendemos a amar uns aos outros, a ter compaixão pelo outro ou vamos tornar as nossas vidas um inferno. Para alguns esse inferno até já chegou. Penso nas mães que perderam seus filhos, nos pais, nos irmão, tios, tias, avós... enfim, aqueles que tiveram uma criança em seus braços, sorrindo e brincando, e agora têm que empunhar as alças de seus caixões, como disse, não há porquês suficientes... sei apenas que se a minha dor é pungente, eu jamais poderia estar no lugar de uma dessas mães. Embora, eu não acredite em religiões, não posso deixar de me lembrar todos os dias, o toque bacana que Jesus nos deu: ama o próximo como a ti mesmo!

terça-feira, 5 de abril de 2011

À uma nota do lesbianismo.

Praticando o violão agorinha, me descobri fazendo uma sessão de análise comigo mesma, aliás isso é o que mais tenho feito ultimamente.  Fiquei viajando nos sons de cada uma das notas, enquanto praticava meu exercício para mão direita. E me descobri me deliciando com a vibração de uma notinha em particular… Bom, eu vejo o violão assim, seis cordas, em que metade delas é fêmea – agudas e a outra metade é macho – graves.  A mais aguda de todas, a primeira corda, é um tipo de fêmea alfa em opisção à mais grave, a sexta corda, – o macho alfa. Se fossem pessoas, eu diria que o macho alfa é aquele que pega todas, estraçalha o coração das gatinhas, um baladeiro de vozeirão. A fêmea alfa, assim como a nota, é mais fraquinha, mais doce, mais gentil, se fosse uma pessoa eu diría que era um protótipo de Amélia e todas as suas implicações na atualidade. As notas do meio de cada lado, a segunda e a quinta cordas, seriam, se fossem pessoas, aquele tipo irmão do meio, embora não chamem a atenção sobre si, possuem uma profundidade e uma resiliência que quem não os conhece não pode adivinhar; imagino que se fossem pessoas, seriam do tipo intelectuais centrados. Por fim, chegamos às notas do meio, a menos grave das agudas, e a menos aguda das mais graves. Extremos e opostos que se aproximam. A nota fêmea, a terceira dentre as agudas, se fosse uma mulher, seria uma pessoa forte, de personalidade, que não tivesse receio de ser grave, mesmo sendo aguda. Já a nota macho, a menos grave de todas, seria um homem sereno, feminino, generoso, e embora masculino, mais frágil e sensível. É justamente essa nota, essa maravilhosa notinha que me encanta, que me delicia quando com meus dedos a faço vibrar. E então, percebi que é mesmo assim na vida, os homens que amei são todos RE, a quarta corda, e os amei porque quando meus dedos os tocavam era um som agradável de se fazer vibrar. Pensando sobre mim, gosto de imaginar que seria a terceira corda, um SOL, mulher, mas grave. Mas o fato é, que nunca me interessei por homem nenhum que não fosse RE, e é justamente pela minha atração pela quarta corda que digo: estive à uma nota do lesbianismo. 

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Traveling

Hoje decidi que uma vez por semana eu vou estudar sobre algum lugar no mundo que eu deseje visitar. Sempre gostei de viajar, da idéia de conhecer outras paisagens, outras culturas, enfim, me maravilhar com as diferenças e diversidades desse mundo louco. Por isso, hoje inicio a minha rota de viagem,  pois se um dia não for a esses lugares, já terei ido em pensamento.... 

Começo a minha jornada por Timbuktu


Mas porque começar por essa cidade estranha e tão desconhecida e não, por exemplo, por Paris? Bem, a primeira vez que ouvi falar de Timbuktu foi num documentário da National Geographic Channel que tratava das conquistas de Gêngis Khan, e uma delas foi a cidade de Timbuktu, que ficava às margens do Rio Niger, na África (para quem não sabe onde fica o rio Niger). Enfim, não sei porque sempre me interessei por Gêngis Khan, é um personagem histórico que me intriga. E acabei descobrindo a destruição que ele promoveu em Timbuktu, inclusive deixando para trás a destruição de uma das mais importantes bibliotecas da época, cujas ruínas, ainda hoje podem ser visitadas. Óbvio que aí está a minha motivação para querer conhecer justo essa cidade fora das rotas. Mas tem mais uma motivação, menos importante talvez: o primeiro conto que eu escrevi tem uma história de um cego que perambula pelas ruínas no deserto de Timbuktu... tenho curiosidade de saber se aquilo que eu imaginei está por lá...  E quando penso em Timbuktu, posso sentir o cheiro, a textura das pedras, a areia volátil que paira no ar... Enfim, não sei porque mas ela já está dentro de mim!!!


*Timbuktu foi fundada por volta de 1100 na proximidade com o Rio Níger, com o propósito de servir as caravanas que traziam sal das minas do deserto do Saara para trocar por ouro e escravos, trazidos do sul por aquele rio. Em 1330, Timbuktu era parte do Império do Mali, que controlava o negócio do sal por ouro em toda a região, estando ligada a Yenné através do comércio do sal, cereais e ouro, e a sua função comercial é acompanhada de uma função militar. Dois séculos mais tarde, Timbuktu atingiu o seu auge, governada pelo Império Songhay, tornando-se uma importante cidade universitária e a capital religiosa dos finais da dinastia Mandingo Askia (1493-1591). Timbuktu, que foi habitada por muçulmanos, cristãos e judeus durante centenas de anos, foi sempre um centro de tolerância religiosa e racial. As culturas locais - songhai, tuaregue, árabe e moura – misturaram-se, mas conservaram as suas distintas tradições. O seu apogeu chegou ao fim no século XVI, quando o exército marroquino destruiu o Império Songhay. O domínio do comércio com África pelos navegadores europeus foi mais uma razão para o declínio de Timbuktu.

domingo, 3 de abril de 2011

O que sei e o que desconheço

Hoje eu estava vendo um filme, do mesmo diretor de Princesas - Fernando León. O título do filme é Amador. Muito bom, por sinal. Mas não quero falar do filme não, quero falar sobre uma frase do personagem título, que me despertou interesse sobremaneira. Ele disse mais ou menos assim "A vida é como um quebra-cabeças, ao nascer nos dão todas as peças, e encaixá-las no devido lugar é a nossa missão." Deixando de lado o aspecto metafísico ou mesmo metanóico, essa frase me fez pensar sobre aquilo que sabemos e aquilo que desconhecemos. A mim sempre me pareceu que o nosso aprendizado das coisas era a aquisição de um conhecimento externo, sobre algo que estava fora de nós. Contudo, hoje fico me perguntando se de fato nós já não sabemos tudo o que precisamos saber? Me questiono se o que importa não seria fazer as escolhas certas, buscar as informações relevantes, para que possamos relembrar aquilo que já sabíamos e julgávamos desconhecer? Vejam os meus alunos, por exemplo: quando eu faço uma pergunta que lhes obriga a pensar sozinhos e deduzir uma resposta, em geral um, dois ou três chegam ao lugar esperado, o restante - mudo e alheio - não me fornece qualquer pista de compreensão. Seriam então uns indivíduos mais capazes que outros, uns mais inteligentes que outros? Bom, eu não creio nisso, eu acho que temos basicamente as mesmas capacidades cognitivas. Então o que nos difere uns dos outros??? Eu acredito que seja a informação. Para raciocinar, é preciso saber fazer deduções e estabelecer relações, e para isso precisamos ter informações que nos permitam relacionar e deduzir. Assim, me parece que aqueles que possuem mais informação podem chegar mais rapidamente a deduções e relações próximas daquilo que se espera, uma aproximação do que seja real ou verdadeiro. Então, chegamos à seguinte questão, como sermos suficientemente informados para compreender coisas tão subjetivas quanto  a vida, o amor, a morte, o medo,  a fé, Deus???? Enfim, todas as coisas que motivam a nossa existência??? Pensando nas questões científicas e sociais creio que essas informações podem ser adquiridas de duas formas: ou de uma vivência intensa ou de  leituras constantes. Não creio que possamos viver intensamente todas as coisas que precisamos entender, caso assim fosse, para compreender a morte, todos teríamos que cometer suicídio.  Infelizmente a conclusão a que chego é que quem lê menos, pensa menos. E pensar menos é um merda!!!! Quem passa a vida sem pensar, pode até ser mais feliz, mas nunca será aquilo que deveria ter sido. Bom, isso é o que eu acho. 

quinta-feira, 31 de março de 2011

DEFINICIÓN DEL AMOR - Lope de Vega (XVI)







Desmayarse, atreverse, estar furioso,  
aspero, tierno, liberal, esquivo,  
alentado, mortal, difunto, vivo,  
leal, traidor, cobarde y animoso; 
no hallar fuera del bien, centro y reposo,  
mostrarse alegre, triste, humilde, altivo,  
enojado, valiente, fugitivo,  
satisfecho, ofendido, receloso; 
huir el rostro al claro desengano,  
beber veneno por licor suave,  
olvidar el provecho, amar el dano, 
creer que un cielo en un infierno cabe,  
dar la vida y el alma a un desengano,  
esto es amor; quien lo probo, lo sabe. 

quarta-feira, 30 de março de 2011

"Vou não, quero não, posso não..."





Toda vez que meus pensamentos me sugam e me transportam para um passado que não volta mais, ou para um futuro que poderá nunca existir, me pego cantando "vou não, quero não, posso não..." e caio na risada. Isso me faz lembrar da minha promessa de me esforçar para viver no presente, deixar de lado os pensamentos tolos e me concentrar naquilo que posso fazer por mim. O que posso fazer hoje, aqui e agora, para me dar paz, conforto, amor e compaixão. Não falo de pena, piedade ou auto-comiseração, mas sim de compaixão.Poder me olhar com meus tantos defeitos, minha fraqueza, minha vulnerabilidade, minhas incertezas, e ter compaixão por esse ser humano que sou, e enfim tentar ter orgulho de mim por estar tentando, me esforçando com sinceridade, ser uma pessoa melhor. Afinal a vida é isso: ou a gente se fode ou se fode. Por isso, toda vez que o passado ou futuro incerto me chamar, eu vou continuar cantando: "Vou não, quero não, posso não..." kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

terça-feira, 29 de março de 2011

Death

Em busca da compreensão de mim mesma, tenho investigado o que sou e o que faço de mim  continuamente. E devo confessar que não é sem dor que passo por esse processo. Contudo, admito também uma imensa gratidão, por ver que muito embora eu não tenha muitas respostas definitivas, inúmeras pistas vem se revelando diante dos meus olhos, da minha mente, do meu coração... diante de qualquer parte de mim em que uma centelha de compreensão possa reluzir. A pista mais recente que tive é que muito do que sou é motivado por um medo insano da morte. Nunca gostei de falar da morte e sempre achei que eu não teria medo de morrer. Contudo, tentando entender porque eu sou uma das pessoas mais ansiosas que eu conheço, cheguei a conclusão de que eu na verdade procurava viver tudo com a maior intensidade possível, tudo o mais urgente possível, sem ter calma para esperar, sem ter paz para deixar que as coisas transcorressem seu curso natural. Esse desejo insano pelo prazer imediato, nada mas era do que o medo de morrer e de não ter vivido os prazeres que a vida me podia proporcionar. O medo da morte continua, mas tento, como todas as minhas forças possíveis deixar de ser refém desse medo... e ter paz.. paz.. paciência: a ciência de gerar a paz dentro de mim!!!

segunda-feira, 28 de março de 2011

like sex!!

Minhas pernas estão bambas, meu copo treme todo por dentro. E uma onda de satisfação imensa ao saber que ainda sou capaz de provocar essas reações. Meu corpo correspondeu aos estímulos, os músculos gritando: "ainda estamos aqui por você"!!! E me sinto bem como não me sentia em anos: fórmula da felicidade: musculação. Quase tão bom quanto sexo!!!

domingo, 27 de março de 2011

Lost and found

Quando você não sabe o que fazer, 
não faça nada, espere até saber.
Quando você não sabe o que dizer, 
não diga nada até ter algo 
que valha a pena ser dito.

sexta-feira, 25 de março de 2011

quarta-feira, 23 de março de 2011

O que poderia ter sido...


Caye em Princesas
“É estranha a saudade não é? Porque não é uma coisa má em si. Quer dizer que já vivemos coisas boas de que sentimos falta. Eu, por exemplo, não sinto saudades de nada, pois nada de bom se passou que merecesse ser lembrado. Isso sim que é foda! Podemos sentir saudades de algo que ainda não aconteceu? Porque às vezes é o que sinto. Eu imagino como seriam as coisas… E me sinto triste quando me lembro de como as coisas seriam boas… porque seriam preciosas, sério… muito preciosas… E quando me dou conta de que elas ainda não aconteceram… que podem nunca acontecer.. me ponho muito triste, mas muito triste tia.”

Holy shit...


“Haverá um dia, algum dia qualquer. Nesse dia tudo será bom, encontrarás as pessoas que queres ver, comerás a comida que mais gostas, e tudo o que acontece é o que querias que acontecesse. Se ligas o rádio, estará tocando tua música favorita, (...) Isso só acontece apenas uma vez na vida, por isso tens que estar preparado. É como um desvio, como quando estás dirigindo para um lugar e te distrais, e quando vês pegou o caminho errado e já não podes voltar atrás. Esse dia é assim: um desvio! E é muito importante, porque podes escolher por onde seguir seu caminho: se por esse caminho ou por outro que não é bom! Por isso temos que estar muito atentos. Porque existem muito poucas coisas boas na vida. E se tu as perde porque passam desapercebidas, ou tu estás pensando em outra coisa, seria uma merda! Uma merda completa!”


Trecho do filme "Princesas", de Fernando León

terça-feira, 22 de março de 2011

A insustentável leveza do ser...


Apesar do título....

...não vou falar do livro de Milan Kundera, não vou falar de literatura, nem de altas filosofias, que se não preenchem a alma, pelo menos deixam o copo meio cheio.

Sabe aqueles dias casansativos, nos quais você nem tem tempo de pensar sobre se está respirando ou não? Bom, hoje foi um desses dias.

Hoje foi uma dia daqueles em que não sei muito bem onde começa o meu pé e termina a minha cabeça, na verdade meu corpo quase não tem materialidade, é só a mente funcionando, ou melhor, mecanicamente funcionando. Não há criatividade. Atuo como um autômato.

Acordar, tomar banho, dirigir uma hora até o trabalho, dar aula, comer qualquer coisa correndo, corrigir prova, assistir seminários de alunos, corrigir mais provas, entregar resultados, ouvir reclamação de aluno... afff. Acabou. Enfim, chega a noite, e posso voltar para casa.

O que significa o retorno ao lar? Que espécie de mística existe nessa sensação de saciedade e salvação que nos ocorre quando voltamos pra casa? São perguntas que me faço, e não encontro respostas. Mas como disse em outro momento, há coisas das quais devemos abdicar o entendimento.

Nessa saciedade orgasmática, que advém de estar em casa, estar sozinha, apagar as luzes do quarto, deitar na cama, posso, finalmente, pensar em mim: nos limtes da minha materialidade, e deixar o imaterial fluir sobre a colcha de pensamentos.

É nesse momento que posso me sentir, por inteira, vida, cor, cheiro, sensações.

É criativo estar só. Ouvir meus pensamentos pulsantes, almejando a inserção no mundo, desejantes de evadir os limites do claustro cerebral.

E, ao desepejar meus pensamentos, posso experimentar um certo tipo de leveza que vem me obsedando continuamente... talvez pelo fato do peso que venho carregando há tanto tempo já...
"Na vida tenho muito que dançar para aguentar o peso, e parar de pensar no erro..."(OTTO)

Então, um pouco de leveza é dedicada àquela, que reconheço, então, ser a minha alma. Cedo-lhe um pouco da tranqüilidade ao encontrar-me segura entre as quatro paredes de meu quarto... o calmo sentimento de saber-se em casa.

Porém, até quando essa levaza poderá pairar sobre os meus suspiros????

Afinal, é insustentável a leveza do ser?

Meu caminho


Andei me perguntando o que importa na vida? E definitivamente nem cheguei perto da resposta. Mas já descobri que algumas coisas não importam. Uma delas é o dinheiro, esse com certeza não importa, pode trazer conforto, mas o conforto, por sua vez , só nos faz não abrir os olhos para o que realmente tem valor. Assim também o poder não importa, pois na verdade o poder só oprime os outros e nos faz ser menos amados, pois quem nos teme pelo poder que possuímos, jamais poderá nos amar. O reconhecimento profissional sem um prazer sincero naquilo que se faz também não importa. Pois na verdade a opinião dos outros sobre nós não importa quase nada, se nós mesmos não sabemos quem somos, e acabamos sendo aquilo que os outros esperam que a gente seja. Tenho certeza de que muitos outros chegaram a essas conclusões antes de mim, mas mesmo que a gente leia ou escute alguém dizer isso, não há como saber – no sentido de ter apreendido isso dentro de si - sem chegar a essas questões por nós mesmos. Ainda temos tanto a aprender e pensar sobre isso me consola e me traz paz para continuar buscando as respostas todos os dias.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Sabendo de mim


Hoje, pela primeira vez na minha vida, abri mão de uma história de amor. Abri mão, não porque o cara não fosse legal, bonito, interessante, essencialmente bom... mas sim porque eu percebi que o estava usando, como já fiz com outras pessoas tantas vezes... usando para fugir de mim mesma, de me conhecer, de me entender, de me encontrar. Ao longo dos anos eu me vi, me apagando, me impedindo de ser quem sou, para ser o que os meus amores queriam que eu fosse. Já fui uma intelectual viciada em livros e estudo, já fui uma crupppie de banda de rock-pop baiano, já fui uma gammer, já fui uma surfista... mas nunca fui eu mesma. E justamente porque preciso descobrir quem eu sou, é que preciso estar sozinha. É preciso suportar qualquer dor que o momento me traga. É preciso encontrar a razão de ser, sentir e viver. E mesmo que eu não encontre as respostas, é meu sentido estar viva e ir em busca dessa compreensão. Pode ser que seja um chamado do divino, da espiritualidade, pode ser que seja só eu tentando achar a minha paz. Mas a verdade é que mesmo na dor, eu consigo ter orgulho de mim mesma, e ver a beleza do que estou vivendo. Sei que todos somos especiais nessa vida, cada um constrói o seu caminho, e o meu caminho não é o mesmo de ninguém. Mas o meu caminho é meu, e por ele eu quero passar... ir até o fim, para ser plena e realizar aquilo que me cabe nessa caminhada.

terça-feira, 1 de março de 2011

Giving up


Desisto!!! É impossível compreender os seres humanos. Quando estamos diante de uma pessoa que parece nos conhecer melhor que qualquer um, e diante delas despimos nossas roupas, nos despojamos de nossas máscaras e nos expomos, nus, cheios de verdade em nossos olhos, esperamos, pelo menos, respeito pela nossa entrega. É incompreensível encontrar nessa pessoa, a mudez, a indiferença. É como se nós nem tivéssemos existido, muito menos tivéssemos lhe demonstrado um pedaço tão imenso de nossas almas. E eu fico aqui a me perguntar, como alguém que viu a minha alma tão de perto, pode simplesmente não mais me enxergar???

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Labirintos

"Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato.
Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice.
Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas - replicou o gato."
(Lewis Carroll)
Cada um tem dentro de si labirintos... e neles muitas vezes nos perdemos sem mesmo saber que estamos perdidos, às vezes o caminho parece limpo, seguro e iluminado, indicando que estamos perto da saída, qual nada, de repente nos deparamos com uma parede imensa, que nos sufoca e aprisiona - fugir se torna imperativo. Às vezes o caminhar lento por entre as veredas é tão sereno e calmo que tudo o que desejamos é simplesmente continuar caminhando. Mas novamente não há mais caminho, outro muro se impõe, e não há nada que possamos fazer senão recuar, silenciosamente, e recomeçar a busca insistente pela saída. Mas o que na verdade acabei de descobrir, é que não existem saídas, o nosso destino é esse mesmo, perambular entre os nossos próprios labirintos, apenas vivendo, sentindo, crescendo e morrendo a cada muro com o qual nos deparamos. Essa é a beleza de estarmos vivos: morrer um pouco todos os dias, para renascer na plenitude do dia seguinte.


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011


finges dormir
para que a dor não deixe rastro no sangue.
(al berto)

Confissões à minha alma



Adia, I do believe I failed you.
Adia, I know I let you down.
Don't you know I tried so hard
To love you in my way?
It's easy let it go...

Adia, I'm empty since you left me.
Trying to find a way to carry on,
I search myself and everyone
To see where we went wrong.

'Cause there's no one left to finger,
There's no one here to blame,
There's no one left to talk to, honey,
And there ain't no one to buy our innocence.
'Cause we are born innocent.
Believe me, Adia, we are still innocent.
It's easy, we all falter...
Does it matter?

Adia, I thought that we could make it
But I know I can't change the way you feel.
I leave you with your misery,
A friend who won't betray.
I pull you from your tower,
I take away your pain,
And show you all the beauty you possess.
If you'd only let yourself believe that

We are born innocent.
Believe me, Adia, we are still innocent.
It's easy, we all falter...
Does it matter?
Believe me, Adia, we are still innocent
'Cause we are born innocent,
Adia, we are still innocent.
It's easy, we all falter...
But does it matter?